quarta-feira, 29 de dezembro de 2010


Falo ao mar sobre ti, cada onda que dele emerge trás e leva constantemente pedaços de quem tu eras, dos quais pensei já me ter despedido há muito tempo com saudade, com a saudade que me perfura o coração e não me deixa respirar, que simplesmente me diz que és essencial na minha vida. O cheiro da brisa arrepia-me a pele, faz-me parar no tempo, tal como os nossos abraços, abraços que me faziam sentir viva, abraços onde era feliz, onde estava contigo, onde não estava sozinha e sentia que fazia parte de alguma coisa, de alguém.
O som de cada onda que se encontra com a areia quase branca transporta até mim a felicidade, a tua felicidade de quando nos riamos, das nossas gargalhadas e despedidas, ou até mesmo o teu respirar a meio da noite quando estávamos em silêncio, como se estivéssemos no fundo do mar, como se estivesses a tentar falar comigo através do teu respirar, estavas mesmo a falar comigo, ouvi cada palavra que me disseste, cada palavra nossa, eu respirava-te.
Sento-me na rocha mais rugosa, a água dá-me pelos joelhos, deixo-me envolver naquele momento. Deixo que o mar me fale de todos os tesouros que nele se resguardam, dos animais que nele vivem, da sua incrível grandeza, das forças que o agitam... Eu falei-lhe de ti, e ele sentiu-se pequeno…



P.S.: Nunca deixas-te de ser o que sempre foste

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