segunda-feira, 26 de março de 2012




    Atraso a minha morte para poder renascer em ti. És tu que emerges à vida só pelo fôlego da tua mão na minha, e eu que só lamento as minhas faltas. Estou aqui por ti, e a minha cabeça procura-te e investiga o teu significado... mas tu, que tudo sabes sobre mim, nem sequer me dizes o perigo que corro, a loucura do meu corpo, a doença da minha mente. Conheces o meu inferno, mas acreditas no céu, e pensas que estes momentos são a tua entrada na eternidade, em vez de o anúncio da minha morte.
No lugar dos teus olhos vejo gaivotas e a tua boca assemelha-se a um areal... é por isso que eu te peço: não o assines. Aconteça o que acontecer, não o assines, porque eu quero viver contigo e saber quem tu és, quero estar junto a ti e sentir-me reconfortada pela tua pele e pelo cheiro que lhe pertence. Outra não seria a vida que eu desejo para nós. Eu quero que corra bem, quero regressar ao meu corpo e expulsar este demónio que me atinge, mas se isso não acontecer, só se isso não acontecer, quero que saltes a barreira e refaças a tua vida a partir daí; porque eu estarei à tua espera o tempo todo, lá em cima, e entretanto será de lá que cuidarei de ti, aqui em baixo.
Agora beija-me! Vá lá, agarra-me e beija-me! Eu não quero ir assim... Vá, espera por mim aqui, até já!

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