sábado, 4 de dezembro de 2010



Fico imóvel, oiço o que se passa à minha volta e tento assimilar tudo. Uma confusão.  Sinto a confusão e a insegurança a apoderarem-se do meu corpo como se a ele não pertencesse. Assisto a tudo, de uma outra perspectiva, tudo me parece calmo. Fico, espero até que alguém me abane e me chame ao Mundo. Regresso a mim, espreito pelos meus próprios olhos e vejo um Mundo diferente, vejo que existe cor, cheiros, sensações e sons bem definidos, mas no meu interior eu sinto... algo falta, algo que eu preciso e que sem o qual não sei viver. Poucos segundos. Foram poucos os segundos em que tive um vislumbre deste Mundo, mas gostei. Sinto saudade dos cheiros, dos sons, das sensações, do vendo a bater-me na cara e da areia a aconchegar-se entre os meus dedos dos pés. Espero. Vou continuar à espera, quero voltar ao Mundo. Quero preencher o espaço da minha vida. Quero poder sorrir e erguer a minha cabeça como se fosse a primeira vez. Não costumo desistir, não faz parte dos meus planos, neste momento posso não ter forças para lutar, mas ainda assim não desisto, quero voltar. Por agora olho para ti, tento olhar por ti. Vou sentir-te, vou fazer chegar a ti o meu cheiro, vou querer perceber as tuas palavras. A vida ganha, ganha sempre. Traz-me de volta e mostra-me as belezas que me acordam do meu Mundo e me trazem ao teu. Desejo, desejo sentir tudo mais uma vez, e outra e outra, desejo poder sentir o calor da tua pele, a aconchegares-me e dizeres-me que vai tudo correr bem, que não preciso de ter medo. Não sinto mais a segurança que sentia, não sinto mais a alegria e a vida que havia dentro de mim. Levas-te contigo um pouco do que eu era, agora sou menos. Sou menos, mas pretendo fazer deste menos mais, fazer valer o que há em mim. Basta-me um vislumbre, um vislumbre teu para poder sorrir, mas quando caio em mim... não aguento, é demasiada dor para mim, para uma só pessoa. Quero-te comigo, mas se assim não puder ser... Desejo que estejas bem, que, pelo menos tu, estejas feliz e que vivas a tua vida, porque é demasiado mau vê-la passar sem a conseguir agarrar ou entrar nela. Rezo por ti, quero-te bem. Vou voltar a sentir tudo mais uma vez, quero fazê-lo, e uma vida chega para isso e muito mais.

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