Fico imóvel, oiço o que se passa à minha volta e tento
assimilar tudo. Uma confusão. Sinto a confusão e a insegurança a
apoderarem-se do meu corpo como se a ele não pertencesse. Assisto a tudo,
de uma outra perspectiva, tudo me parece calmo. Fico, espero até que alguém me
abane e me chame ao Mundo. Regresso a mim, espreito pelos meus próprios olhos e
vejo um Mundo diferente, vejo que existe cor, cheiros, sensações e sons bem
definidos, mas no meu interior eu sinto... algo falta, algo que eu preciso e
que sem o qual não sei viver. Poucos segundos. Foram poucos os segundos em que
tive um vislumbre deste Mundo, mas gostei. Sinto saudade dos cheiros, dos sons,
das sensações, do vendo a bater-me na cara e da areia a aconchegar-se entre os
meus dedos dos pés. Espero. Vou continuar à espera, quero voltar ao Mundo.
Quero preencher o espaço da minha vida. Quero poder sorrir e erguer a minha
cabeça como se fosse a primeira vez. Não costumo desistir, não faz parte dos
meus planos, neste momento posso não ter forças para lutar, mas ainda assim não
desisto, quero voltar. Por agora olho para ti, tento olhar por ti. Vou
sentir-te, vou fazer chegar a ti o meu cheiro, vou querer perceber as tuas
palavras. A vida ganha, ganha sempre. Traz-me de volta e mostra-me as belezas
que me acordam do meu Mundo e me trazem ao teu. Desejo, desejo sentir tudo mais
uma vez, e outra e outra, desejo poder sentir o calor da tua pele, a
aconchegares-me e dizeres-me que vai tudo correr bem, que não preciso de ter
medo. Não sinto mais a segurança que sentia, não sinto mais a alegria e a vida
que havia dentro de mim. Levas-te contigo um pouco do que eu era, agora sou
menos. Sou menos, mas pretendo fazer deste menos mais, fazer valer o que há em
mim. Basta-me um vislumbre, um vislumbre teu para poder sorrir, mas quando caio
em mim... não aguento, é demasiada dor para mim, para uma só pessoa. Quero-te
comigo, mas se assim não puder ser... Desejo que estejas bem, que, pelo menos
tu, estejas feliz e que vivas a tua vida, porque é demasiado mau vê-la
passar sem a conseguir agarrar ou entrar nela. Rezo por ti, quero-te bem.
Vou voltar a sentir tudo mais uma vez, quero fazê-lo, e uma vida chega para
isso e muito mais.

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