domingo, 5 de dezembro de 2010


O medo paralisa o meu corpo, bloqueia os meus pensamentos ou reacções, fico estática, exactamente onde estava anteriormente. O medo pode servir como sinal de perigo, protegendo-nos assim do pior, mas não, eu não gosto do medo. Não gosto de me sentir presa, fixa num ponto sem horizonte. Gosto de viajar, de me sentir livre, sentir a adrenalina no meu corpo: sentir-me somente a mim e à natureza que em rodeia. Partir sem rumo, percorrer um trilho de descobertas, de aprendizagens, sensações, melodias que me façam encontrar o meu lugar. Lugar onde os medos não são proibidos e onde lhes podemos tocar, que não nos aleijamos, podemos ultrapassá-los, ser livres. Sentir o sol a poisar-me na cara não é um crime, e não me acordam daquele delicioso momento.


Anseio por mais; correr até à outra margem do rio e olhar para o que ficou para trás das minhas costas, e continuar a avançar, sem medo, por entre chuva ou sol, frio ou calor, cansada ou eufórica, a rir ou a chorar, a ser atropelada com novas sensações ou apática, quero chegar até àquela marca. Aquela marca está ali para mim, só para mim. Quando lá chegar posso suspirar, pousar a minha carga, instalar-me num sítio novo e melhor, explorar o novo lado das coisas, pois deixei a margem do rio para trás e com ela ficou o medo. Agora posso fazer tudo, posso fazer tudo, posso ser eu e criar um novo mundo para mim. Aqui não há medo, as pessoas não se julgam, não deixam ninguém para trás nem esquecem. Aqui todos são importantes, todos confiam em si e não têm medo de apresentar o seu mais profundo íntimo, não têm medo de ser expulsos.
Vou chegar à outra margem, vou respirar finalmente, e deixar o buraco que está no meu coração. Vou saltar, soltar o meu corpo sem medo até me cansar. Uma vez cansada, vou dormir, descanso o meu corpo e mais do que isso, a minha alma, o meu espírito. Gostei de deixar o medo do outro lado, gostei de avançar e de ser eu própria, gostei de correr e de sentir o medo. Acordo, um novo dia começa, o meu Mundo é irreal, não existe nada do que construí no dia anterior. Vou continuar, levanto-me. Vou chegar à minha marca, quero ser eu, quero poder sentir o meu medo e esmagá-lo, vou lá chegar. Um dia, vou lá chegar.


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