quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

É o caminho mais longo e difícil que eu escolho todos os dias para atravessar a mais estreita e frágil ponte que teima em manter-se no meu caminho perante ti, é esta a distância que tanto tempo demorei a construir, na qual derramei tanto do meu suor, tanto da minhas lágrimas, na qual tanto gritei e me contorci de sofrimento… que agora quero mandar abaixo e não consigo, fortaleci-a com tudo o que tinha e de nada me adiantou, reduziu o sofrimento que mais tarde veio a renascer com mais força do que antes.
Andar sozinha na rua faz-me afundar novamente nas melh(pi)ores memórias que alguma vez podia ter gravado em mim. Não preciso de um lembrete para te ter comigo no pensamento, porque és a única coisa que tanto quero esquecer mas nada do que faço, oiço, vejo, cheiro e sinto, me deixa largar-te e convencer-me de que tu estás bem, porque eu não estou e parece-me que não vou estar. Vou ficar para sempre agarrada a esta doença que me domina. Por muito que queira, por muita vontade que possa nascer de mim como uma fonte, não consigo estar bem. Não consigo estar no meu mundo, porque ele já não existe, destruíste-o, porque um ia o levas-te contigo.


Não quero continuar amarrada a esta torre de dor na qual escalo todos os dias à procura do topo ou de uma janela pela qual possa salta. Mas o topo parece não existir, obrigando apenas a dor a aumentar, e a janela que me pode salvar está acorrentada e eu não tenho a chave para a libertar, libertando-me. Não tenho medo de cair, se a dor física se vai sobrepor à dor mental, então não tenho medo de cair, prefiro cair que continuar a subir em direcção desconhecida sem ninguém à minha espera do outro lado; continuando dor a intensificar-se.
Prefiro saltar e cair. A única maneira de cair é saltar.


P.S.:  Preciso que me dês a chave

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