terça-feira, 8 de março de 2011


          É nas tardes frias e húmidas dos Domingos de Inverno que gosto de sair do conforto do meu quarto e vaguear pela minha rua, sem destino.
Só eu estou na rua. Eu e a chuva, que preenche o lugar das pessoas que por esta hora costumam estar confortavelmente sentadas no seu sofá, em frente ao televisor, preguiçando. Os poucos que deambulam pela rua, como se de máquinas se tratassem e estivessem já programados para executar tão rotineiras caminhadas, não reparam sequer em quem passa mesmo ao seu lado.


Sobressaio nesta rua que parece abandonada, entregue à solidão e tristeza que a todos aprisiona mas eu gosto da chuva. Gosto do seu som frágil e repetitivo quando embate na minha capa amarela, que deixa as gotas deslizarem levemente sobre si até voltarem a tombar, desta vez no chão lamacento e pedregoso. Gosto do cheiro que fica no ar após a chuva ter caído sobre a terra. Cheiro fresco e tranquilizante, que reconforta o espírito e dá ânimo para enfrentar mais uma semana que se aproxima.
Continuo a vaguear pela minha rua. É quando chove que posso reparar em coisas novas, porque é na rua despida de movimento e agitação que consigo sentir as coisas especiais, que no meu dia-a-dia não dou a devida importância.
Hoje olhei para a minha rua de uma maneira diferente. Hoje pude ver mais do que a minha rua, pude ver um sítio onde muitas marcas foram já deixadas, onde muitas coisas já aconteceram. Tenho a certeza que esta rua tem um livro cheio de segredos para um dia eu desvendar. Quero ler todas as suas histórias e puder fazer parte delas.

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