Caminho sob o
Sol desta minha terra que se infiltra nos meus braços, exigindo a minha atenção
ao seu comportamento fastidioso. Uso o chapéu de palha trazido pela esplêndida
mulher do campo, que com o olhar faz os bichos aproximarem-se e com árduo
trabalho faz as plantas medrarem, colho os seus frutos no meu pensamento.
Herança valiosa que me enche o coração de
riqueza divina inspirada pelos melros e pelos grilos que invadem o terreno sem
sequer pedirem licença à velha agricultora dos ténis brancos sujos juvenis e da
farda de trabalho pouco gabada pelo povo: um avental azul esburacado e umas
leggins marcadas pelo trabalho. Com a foice, a velha arrancou da terra já
cansada, o feno, para que este volte a nascer quando todo o trabalho pela
ribanceira a cima for terminado. Com o balde preto amolgado, preso por uma
corda trançada, a velha inclina-se sobre o fundo e temido poço, debroca o balde
e com a força de uma jovem arrasta-o novamente para junto dos seus pés.
Pergunto-me, como é possível ter tanta força de vontade? Tanta fé? Tanto poder
sortido nos seus pequenos pertences?
O suor escorre-lhe por baixo do lenço, o
sol já vai alto, está a ficar tarde para o trabalho, e tudo o que vive começa
agora a acordar na pequena aldeia. Ela sacode-se como que a tentar livrar-se do
calor.
Pára e olha em volta. O terreno está
regado, os frutos e legumes estão colhidos. Os regos estão trancados.
Ela regressa ao fundo do terreno com o
balde carregado, sobre a rodilha emaranhada feita à pressa sobre a cabeça,
manda-me um sorriso que vislumbro escondido na sua cara rugosa e ajeita-me
delicadamente o chapéu que esconde os meus cabelos castanhos e
desalinhados.
P.S.: Faz de mim tua igual, ensina-me o que apenas tu sabes. Vou
seguir sempre os teus passos onde quer que tu vás.


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