sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Caminho sob o Sol desta minha terra que se infiltra nos meus braços, exigindo a minha atenção ao seu comportamento fastidioso. Uso o chapéu de palha trazido pela esplêndida mulher do campo, que com o olhar faz os bichos aproximarem-se e com árduo trabalho faz as plantas medrarem, colho os seus frutos no meu pensamento.


Herança valiosa que me enche o coração de riqueza divina inspirada pelos melros e pelos grilos que invadem o terreno sem sequer pedirem licença à velha agricultora dos ténis brancos sujos juvenis e da farda de trabalho pouco gabada pelo povo: um avental azul esburacado e umas leggins marcadas pelo trabalho. Com a foice, a velha arrancou da terra já cansada, o feno, para que este volte a nascer quando todo o trabalho pela ribanceira a cima for terminado. Com o balde preto amolgado, preso por uma corda trançada, a velha inclina-se sobre o fundo e temido poço, debroca o balde e com a força de uma jovem arrasta-o novamente para junto dos seus pés. Pergunto-me, como é possível ter tanta força de vontade? Tanta fé? Tanto poder sortido nos seus pequenos pertences?
O suor escorre-lhe por baixo do lenço, o sol já vai alto, está a ficar tarde para o trabalho, e tudo o que vive começa agora a acordar na pequena aldeia. Ela sacode-se como que a tentar livrar-se do calor.


   Pára e olha em volta. O terreno está regado, os frutos e legumes estão colhidos. Os regos estão trancados.
Ela regressa ao fundo do terreno com o balde carregado, sobre a rodilha emaranhada feita à pressa sobre a cabeça, manda-me um sorriso que vislumbro escondido na sua cara rugosa e ajeita-me delicadamente o chapéu que esconde os meus cabelos castanhos e desalinhados.


P.S.: Faz de mim tua igual, ensina-me o que apenas tu sabes. Vou seguir sempre os teus passos onde quer que tu vás.

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