sexta-feira, 23 de março de 2012

  
         Sinto a tua falta. As saudades que tenho tuas são o pó nos meus olhos e o ar trancado na garganta. Voltei a fazer o mesmo, e desiludi-te: mais uma razão para eu ser quem sou e sonhar por ser o alguém. Eras (és)  a minha igual, contigo estava tranquila e jamais sozinha, porque tu me compreendias mesmo sem eu te contar toda a minha vida e preocupavas-te mesmo sem eu merecer. Foi-se a força, depois a vontade, uma vez a Dança e, por fim, a vida. E é este o meu destino antecipado e o desgosto da minha vida; o muro que me separa da liberdade e da alegria. Sabes qual foi o meu sonho durante tanto tempo?  O nosso dueto, magnífico; sonhei com uma cura, com uma face limpa, uma alegria no coração e o mal fora do corpo. Momento mais lindo do livro das memórias que nunca passarão de escritas a dançadas. Mas perdi-me. E perdi-me tão fundo. Não vejo nada e nada aos meus olhos é alguma coisa. Fui esquecida, mais uma vez? Sim, acho que me esqueceste mesmo. Se estivesses bem, eu aguentava melhor esta dor, mas assim não dá, não consigo. Rezo por ti todos os dias, mas a cada dia que passa, sinto cada vez mais que faço parte de um sonho e que, a qualquer momento, vou acordar num outro mundo no sítio onde, desde pequena, eu e tu pertencemos, onde devíamos de fazer história e viver da paixão; o que quer que faça não é verdadeiro ou terá consequências futuras. Meu amor, Dança sempre, porque a dança é a cura, e quando te a tirarem, quando te tirarem a única coisa pela qual ainda vives e ainda consegues respirar, e gritar furiosa e silenciosamente, aí tu também vais cair, mas mais fundo e não te vais conseguir levantar, não te vais querer levantar sequer. Por isso, agarra-te bem a essa dança que só tu sabes tão bem e vive dela (vive por ti e por mim, que tantas saudades tenho dela!)! Tenho saudades tuas, mas ainda não aprendi a dar a vida por quem merece e confiar em quem confia em mim. Eu estou aqui, no fundo do buraco onde me pus, onde já estiveste comigo, mas onde eu preferi ficar sozinha; e continuo a escavar... Só te queria a ti, novamente, e à dança, porque quem nos juntou nunca nos poderá separar e esta não é uma paixão que se escolha para viver, é a paixão com somos marcados para morrer.

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